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Coisas que você sempre quis saber sobre Globalização e sempre teve vergonha de perguntar!

By Ricardo Carelli:

Ontem participei de uma aula fantástica na Fundação Getúlio Vargas, onde faço MBA em Gestão Empresarial, com o lendário professor “Iberê Arco e Flexa”. Resumindo seu currículo, ele é Doutor pela FGV, MBA pela New York University e Advogado pela PUC SP, fora isso foi superintendente de um dos dois maiores bancos brasileiros por 28 anos. 

“Eita” discussão boa, que me fez abrir os olhos mais uma vez, vivendo e aprendendo não é mesmo?! Mas, vamos ao assunto.

O assunto parece velho e desgastado, talvez para uns poucos desconectados, o assunto do momento, mas para quem parar e pensar um pouco sobre nosso passado, é um assunto que nunca esteve fora das discussões mundiais. 

A alegria em conhecer novas culturas é algo ........ muito legal. By Ricardo Carelli

Quanto estive nos Estados Unidos pela primeira vez e depois por uma pequena quantidade de vezes, me encantei com tudo o que vi, e do quanto que o acesso ao resto do mundo foi cerceado pela ditadura militar brasileira. Foi um choque cultural.

Como exemplo tenho uma passagem para contar:

Em uma das oportunidades, em Miami, entrei em um supermercado, e comecei a observar a enorme variedade de tudo que se comercializava lá. Hum aqui no  Brasil, tínhamos algo entorno de uns 6 ou 7 tipos de refrigerantes, incluindo Tubaína, Ginni, se alguém se lembra delas, claro. Foi ai que as comparações começaram.  Incrível, eram quase 20 tipos de Coca-Colas, diferentes, com sabores diferentes: Classic, Cherry, Cristal, Light, Diet, Zero, e tudo dobrado na versão descafeinada, dá pra acreditar? Ah, a Pepsi tinha o mesmo arsenal, e o mundo era outro, pois o sabor da Pepsi, lá era até melhor que o da Coca-Cola. Por isso imaginem um corredor de supermercado só com Coca e Pepsi. Pirei! O mais incrível é que hoje, aqui no Brasil, isso não é mais tão incrível, pois já fomos “globalizados”, certo?!?!

Paraíso consumista, capitalista de de gordinhos - By Ricardo Carelli

Historias a parte, contei esta passagem para iniciar uma discussão bem  mais ampla. Se for pensar em globalização, imaginamos de imediato na internet, na comunicação facilitada pelas fartas distribuições de chips oriundos de grandes conglomerados avizinhados nos EUA, mais precisamente no Vale do Silício. Pensamos em viajar pelo mundo de forma mais fácil, gastar em dólar, euro, iene, estalecas e sei lá mais que tipos de moedas por aí. Quem sabe comprar um carro chinês do Faustão por um ”pleço balatinho”.

Dólar a moeda forte mundial. Será ?????

Amigo, você esta pensando de forma errada.

Posso afirmar que a famigerada globalização faz  parte de nossa história a tanto tempo quanto a descoberta do fogo. É ,o assunto não é tão moderno assim!

Só pra dar um gancho na explicação, no início, existia um único Supercontinente. Segundo os Wikkis da vida,  Supercontinente é quase o mesmo que um Continente, com a diferença de serem os mesmos continentes atuais bilhões de anos no passado, quando tinham outra forma, supostamente unidos. Esse fato ocorreu e ainda ocorre, devido à movimentação das placas tectônicas, onde se localizam os continentes, o que fazem estes se movimentarem  e mudarem de lugar, basicamente se afastando uns dos outros.  Estes movimentos acontecem muito lentamente. As placas se movimentam no máximo 10 centímetros por ano (essa mudança geográfica e tectônica ainda não parou).

Senhores, se o verbo for aplicado de maneira correta, globalizar significa tornar global. Então nos remotos terremotos, já nos fazíamos globalizados. Difícil de entender não é mesmo.

Vamos tentar entender com alguns exemplos mais claros:

Roma globalizou o mundo pela força através do Império Romano, levando por obrigação, seus costumes, crenças, impostos e castigos. Não, não fiquem com raiva de Roma, afinal isso aconteceu com o império Maia, com o Império Germânico, com o império Britânico, e com tantos outros. E para ajudar a confundir de vez, Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Holanda, Piratas, Bárbaros Vikings, e um monte de outros tipos de “pilhadores”, conquistadores, colonizadores, desbravadores, bandeirantes e etc., o que fizeram com o mundo senão globaliza-lo?

A Globalização imposta através das investidas do Império Romano

A globalização toma uma forma diferenciada quando o mundo tem a informação imediatalizada (acabei de inventar o termo), com um mercado virtual tão grande ou maior que o mercado real. Entendemos que a internet então, está fazendo o papel dos mercadores que viajavam de navio, no lombo de camelos, pelos  braços de mares, pelas geleiras que ligavam continentes, etc.

É, a internet facilitou, mas não inventou. Hoje somos MAIS reféns desta tal globalização, mas não MENOS do que sempre fomos.

Vejo discussões maravilhosas e absolutamente incoerentes pelos bares, encontros familiares, nos corredores das empresas, e até nos estádios de futebol.  Faz parte do Homem, tentar entender o que acontece a sua volta, ao seu redor, e não raramente discute erradamente e  não entende todo este emaranhado de informações, mas na hora de dormir, pensa. “É isso ai, verdades absolutas e globalizadas.”

Ora queridos internautas, leitores e colegas, e não é a mais pura verdade que o reinado do comunismo (aquela coisa vermelha, comedora de criancinhas, que vinha para tirar dos que tinham e dividir com todo proletariado) se esvaiu em falência com o naufrágio irrefutável da extinta União Soviética, e da pobreza cubana, deixada ao abandono do inferno dos comunistas falidos? SIM esta é uma verdade absoluta. Venceu a democracia capitalista consumidora e dona da verdade. Certo?

A maior potencia do mundo continua sendo os Estados Unidos e a Europa detêm a riqueza e a história do velho continente e se gaba pelo iluminismo, com os maiores artistas e obras primas da arte mundial. Certo?

A moeda mundial é o dólar, a maior fonte de pesquisa científica esta concentrada neste eixo, Europa e Estados Unidos, certo?

Se você respondeu sim para as ultimas três perguntas, pare e pense:

EUA x Resto do Mundo ( ou quase ).

  • Hoje o maior e mais temido mercado, fornecedor e consumidor, o maior concorrente que todos tremem e o querem como aliado, capaz de enterrar a economia de gigantes com seus custos e volume de produção, é o mercado Chinês.
  • Não sei se perceberam, mas o capitalismo americano afundou com a explosão da bolha imobiliária de 2009 e fez com que o American Life Stiles fosse cremado na impotência e na quebradeira dos grandes bancos e empresas americanas que esta crise forjou. Os EUA estão quebrados.
  • A Europa esta quebrada, financeiramente e moralmente. O berço do iluminismo, que não podemos nos esquecer, foi o também berço da Época das Trevas e da Santa Inquisição, apaga aos poucos a luz de esperança de um domínio pseudo-eternizado. 
  • O futuro científico é Indiano, quem diria, com toda pobreza naquele país, com um transito impossível de se entender e com tantas religiões e crenças. Um lugar onde a vaca, isso mesmo, a vaca, que tem o nome científico: Bos linnaeus, animal mamífero, artiodáctilos, herbívoro, com números pares de dedos com casco. Possui estômago dividido em compartimentos. Ruminante, digere o alimento uma primeira vez, engole, regurgita e engole nova e definitivamente da família dos bovídeos, é considerado um animal sagrado e pode fazer o que bem entende naquela região, pois é respeitado como um Deus. Imagine que ela pode  inclusive entrar em sua sala de visitas, pois não pode ser incomodada nem retirada contra sua vontade (a vontade da vaca e não a sua vontade, entendeu?).
  •  A Índia é o lugar onde a ciência mais se desenvolve, e onde se encontram os grandes cientistas, gênios e pesquisadores mundiais, em qualidade e quantidade. 

A Academia da Dow Microbial Control foi criada ao redor do centro modelo de aplicação ao cliente, que possui laboratórios em todo o mundo, incluindo nas instalações da Mumbai.


  • A grande potencia mercantilista, negociadora, que detêm as cartas deste jogo de ganha e perde, é a China, vejam só, um país comunista, vermelho, comedor de criancinhas, (na verdade isso é uma lenda. Recentemente foi descoberto que eles realmente comem de tudo, cachorros, grilos, cobras e o que se mexer, seja o que for , mas criancinhas não).
  • Não vou entrar no mérito, mas também são os países com maior número de habitantes no mundo.  Olha que coincidência a lista abaixo.

Lista atualizada com os países mais populosos datado do ano de 2008.

1º. China: 1.336.310.750 de habitantes
2º. Índia: 1.186.185.625
3º. Estados Unidos: 308.798.281
4º. Indonésia: 234.342.422
5º. Brasil: 194.227.984
6º. Paquistão: 166.961.297
7º. Bangladesh: 161.317.625
8º. Nigéria: 151.478.125
9º. Rússia: 141.780.031
10º. Japão: 127.938.000

Fonte: IBGE Países e United Nations Statistics Division.

Amigos se eles são realmente potencias em ascensão, vocês podem até duvidar, claro se quiserem se enganar,  mas não duvide que se resolverem entrar em uma briga, eles vão acabar ganhando por falta de oponentes. Por isso pare um pouco e pense se a globalização é algo novo, e se nossos velhos conceitos ainda são verdadeiros. Nós podemos nos surpreender, como na discussão de ontem que tive com meu professor Iberê Arco e Flexa  (esqueci de falar Flexa é com X mesmo e que ele não é indígena ok?!).

"A globalização não é uma onda natural é sim uma imposição natural, e sempre foi assim, e sempre assim será". Ricardo Carelli

Para falar a verdade foi uma noite bem agradável, é sempre bom falar com pessoas inteligentes, assim, como estamos nos falando agora. (Atenção, esta pode ter sido a única piada neste texto inteiro, entendeu????)

As relações entre o trabalho e a lucratividade das empresas

Texto: Ricardo Carelli:
Matéria Publicada no jornal

Matéria de Capa

McDonald´s

 

A Chamada acima faz parte de uma matéria que acusa o Mac Donalds de ter como política de remuneração, salários abaixo do que se considera humano.

As relações de trabalho no Brasil,vem com o passar do tempo, melhorando. Nada a de se comparar com os anos 50,60 e 70 onde os modelos de administração estavam voltados a produtividade e a maisvalia. A redistibuição de lucros pelas empresas é uma forma de mudar o que antes poderia ser dita como relação de servidão absoluta.

Claro que certas condições de trabalho foram melhoradas pela imposição de organizações pública, movimentos sindicais, nas nos anos 70 e 80 e até mesmo pela pressão social.

Mas não há de se duvidar das empresas que tratam seus funcionários como devido respeito.

Quero com esta afirmação, estabelecer um contraponto ao que acontece com algumas empresas e que não fazem parte da ” modernidade” aplicada pelo modelo “Wall Street” de gestão.

O caso MacDdonalds não se trata de um problema social, e sim um problema empresarial. Não quero aqui afirmar em nenhum momento que acho que salários baixos não trazem problemas sociais, ao contrario. O que tento discutir é o formato pouco empreendedor de uma das maiores redes de FastFood do mundo.

 

O Maior Capitalista de todos os Tempos

O Mercado nada mais é do que as as pessoas que vivem em um determinado lugar, trabalham e gastão seu próprio dinheiro, ou boa parte dele, neste mesmo lugar. Aceitação de mercado seria então, as pessoas que ali vivem aceitar determinado fornecedor como seu próprio fornecedor e ali deixar seu rico dinheirinho. Esta corrente pode se quebrar se existe uma falha no elo de subsistência.  Se não tenho dinheiro, não gasto, se não gasto não existe fornecedor, se não tem fornecedor não tem emprego, sem emprego não tenho dinheiro. Percebem as relações entre capital e trabalho?  Pois é puro Karl Marx, o maior” Capitalista” de todos os tempos, duvida? Leia ” O Capital” depois discutimos.

 

O Capital de Karl Marxs

 

O grande problema é que as empresas que tem um público cativo, que tem um certo domínio de mercado, tem como meta o lucro, e isso é o que faz a empresa sobreviver e não existe nada de errado nisso, pelo contrário é a razão da existência de qualquer empresa.

Neste caso vejo um paradoxo pois, se formos analisar,  veja o que diz parte da matéria sobre desenvolvimento de jovens nas empresa, pelo Portal da Propaganda:

 

Paradoxos Empresariais

Com mais de 30 mil funcionários da “Geração Y”, o McDonald’s é considerado o maior empregador de jovens do Brasil, sendo que a maioria deles vive a primeira experiência profissional na empresa. Não por acaso, a empresa possui um reconhecido núcleo de formação profissional, no qual os jovens profissionais participam de atividades educativas que visam desenvolver qualificação técnica, senso de comprometimento com o negócio e valores como espírito de equipe e responsabilidade social. Entre as práticas diferenciadas de gestão de pessoas, destaca-se o Recrutamento Centralizado por Perfil – instrumento de contratação destinado a auxiliar o gerente de restaurante responsável pelo processo a recrutar jovens com o perfil mais condizente com a cultura organizacional e com o ambiente de trabalho do restaurante. No nível gerencial, quando o objetivo é atrair, formar e reter jovens talentos com potencial para gerir os restaurantes e desenvolver uma futura carreira na empresa, entra em ação o Programa de Trainees.

O McDonald’s tem vários exemplos de ascensão profissional de jovens, sendo que cerca de 30% dos gerentes e supervisores iniciaram a carreira como atendentes. Esse é o caso da diretora de Treinamento e Desenvolvimento para América Latina, Íris Barbosa, e do presidente da companhia no Brasil, Marcelo Rabach. Entre as políticas de gestão adequadas aos jovens está o horário flexível, que permite ao funcionário conciliar trabalho, estudo e lazer.

O paradoxo se confirma pela maneira como os negócios são moldados. Não consigo entender uma empresa que tem como principal material humano o perfil exato de seu consumidor, e não dar condições deste colaborador ser seu cliente. Pela matéria acima 30 mil funcionários são excluídos da categoria consumidores pelo fato de não terem condições de pagar por um lanche que eles mesmo produzem. veja a conta.

Se ganho 400 reais, dos quais me sobram líquido, 300 e poucos, e o preço do trio BigMac custa em média uns 14 reais. Pois bem são 300 reais, divididos por 14 reais por lanche, seria 21,5 lanches por mês, esta é a capacidade de compra do seu funcionário. Mas é claro que quem ganha isso não vai poder comer nem um, muito menos pagar um MAC para a sua namoradinha.  Eis o paradoxo. Quem faz não pode experimentá-lo como cliente. Bem não seria crítico se não estivéssemos falando de um “lanche”

Duvida?

 

Holerite MacDonalds

A discussão é meramente sobre estratégia de mercado, no mundo corporativo, pois dar a oportunidade destes funcionários não poderem comer um lanche no MacDonalds é um fator positivo, pois assim serám muito mais saudáveis. O problema é que com o que ganham, não dá pra comprar nem Mac nem nada mais.

Este tipo de política elimina um elo da cadeia da produção criada por Henry Ford, o consumidor.

Pelo que entendo, por enquanto é bastante lucrativa. Mas, o quanto isso é nocivo para a sociedade. O quanto isso é nocivo para a própria empresa. Que seja a porta de entrada para o primeiro emprego mas, porque tem que se eliminar o poder de ganho neste momento. Investimento?  Quem investe em quem ?

Fica a pergunta.

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