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As relações entre o trabalho e a lucratividade das empresas

Texto: Ricardo Carelli:
Matéria Publicada no jornal

Matéria de Capa

McDonald´s

 

A Chamada acima faz parte de uma matéria que acusa o Mac Donalds de ter como política de remuneração, salários abaixo do que se considera humano.

As relações de trabalho no Brasil,vem com o passar do tempo, melhorando. Nada a de se comparar com os anos 50,60 e 70 onde os modelos de administração estavam voltados a produtividade e a maisvalia. A redistibuição de lucros pelas empresas é uma forma de mudar o que antes poderia ser dita como relação de servidão absoluta.

Claro que certas condições de trabalho foram melhoradas pela imposição de organizações pública, movimentos sindicais, nas nos anos 70 e 80 e até mesmo pela pressão social.

Mas não há de se duvidar das empresas que tratam seus funcionários como devido respeito.

Quero com esta afirmação, estabelecer um contraponto ao que acontece com algumas empresas e que não fazem parte da ” modernidade” aplicada pelo modelo “Wall Street” de gestão.

O caso MacDdonalds não se trata de um problema social, e sim um problema empresarial. Não quero aqui afirmar em nenhum momento que acho que salários baixos não trazem problemas sociais, ao contrario. O que tento discutir é o formato pouco empreendedor de uma das maiores redes de FastFood do mundo.

 

O Maior Capitalista de todos os Tempos

O Mercado nada mais é do que as as pessoas que vivem em um determinado lugar, trabalham e gastão seu próprio dinheiro, ou boa parte dele, neste mesmo lugar. Aceitação de mercado seria então, as pessoas que ali vivem aceitar determinado fornecedor como seu próprio fornecedor e ali deixar seu rico dinheirinho. Esta corrente pode se quebrar se existe uma falha no elo de subsistência.  Se não tenho dinheiro, não gasto, se não gasto não existe fornecedor, se não tem fornecedor não tem emprego, sem emprego não tenho dinheiro. Percebem as relações entre capital e trabalho?  Pois é puro Karl Marx, o maior” Capitalista” de todos os tempos, duvida? Leia ” O Capital” depois discutimos.

 

O Capital de Karl Marxs

 

O grande problema é que as empresas que tem um público cativo, que tem um certo domínio de mercado, tem como meta o lucro, e isso é o que faz a empresa sobreviver e não existe nada de errado nisso, pelo contrário é a razão da existência de qualquer empresa.

Neste caso vejo um paradoxo pois, se formos analisar,  veja o que diz parte da matéria sobre desenvolvimento de jovens nas empresa, pelo Portal da Propaganda:

 

Paradoxos Empresariais

Com mais de 30 mil funcionários da “Geração Y”, o McDonald’s é considerado o maior empregador de jovens do Brasil, sendo que a maioria deles vive a primeira experiência profissional na empresa. Não por acaso, a empresa possui um reconhecido núcleo de formação profissional, no qual os jovens profissionais participam de atividades educativas que visam desenvolver qualificação técnica, senso de comprometimento com o negócio e valores como espírito de equipe e responsabilidade social. Entre as práticas diferenciadas de gestão de pessoas, destaca-se o Recrutamento Centralizado por Perfil – instrumento de contratação destinado a auxiliar o gerente de restaurante responsável pelo processo a recrutar jovens com o perfil mais condizente com a cultura organizacional e com o ambiente de trabalho do restaurante. No nível gerencial, quando o objetivo é atrair, formar e reter jovens talentos com potencial para gerir os restaurantes e desenvolver uma futura carreira na empresa, entra em ação o Programa de Trainees.

O McDonald’s tem vários exemplos de ascensão profissional de jovens, sendo que cerca de 30% dos gerentes e supervisores iniciaram a carreira como atendentes. Esse é o caso da diretora de Treinamento e Desenvolvimento para América Latina, Íris Barbosa, e do presidente da companhia no Brasil, Marcelo Rabach. Entre as políticas de gestão adequadas aos jovens está o horário flexível, que permite ao funcionário conciliar trabalho, estudo e lazer.

O paradoxo se confirma pela maneira como os negócios são moldados. Não consigo entender uma empresa que tem como principal material humano o perfil exato de seu consumidor, e não dar condições deste colaborador ser seu cliente. Pela matéria acima 30 mil funcionários são excluídos da categoria consumidores pelo fato de não terem condições de pagar por um lanche que eles mesmo produzem. veja a conta.

Se ganho 400 reais, dos quais me sobram líquido, 300 e poucos, e o preço do trio BigMac custa em média uns 14 reais. Pois bem são 300 reais, divididos por 14 reais por lanche, seria 21,5 lanches por mês, esta é a capacidade de compra do seu funcionário. Mas é claro que quem ganha isso não vai poder comer nem um, muito menos pagar um MAC para a sua namoradinha.  Eis o paradoxo. Quem faz não pode experimentá-lo como cliente. Bem não seria crítico se não estivéssemos falando de um “lanche”

Duvida?

 

Holerite MacDonalds

A discussão é meramente sobre estratégia de mercado, no mundo corporativo, pois dar a oportunidade destes funcionários não poderem comer um lanche no MacDonalds é um fator positivo, pois assim serám muito mais saudáveis. O problema é que com o que ganham, não dá pra comprar nem Mac nem nada mais.

Este tipo de política elimina um elo da cadeia da produção criada por Henry Ford, o consumidor.

Pelo que entendo, por enquanto é bastante lucrativa. Mas, o quanto isso é nocivo para a sociedade. O quanto isso é nocivo para a própria empresa. Que seja a porta de entrada para o primeiro emprego mas, porque tem que se eliminar o poder de ganho neste momento. Investimento?  Quem investe em quem ?

Fica a pergunta.

Profissional certo no lugar certo.

“Contratei Laura há um par de anos. Sua bagagem técnica, somada à sua habilidade para fazer as coisas acontecerem, fez dela a escolha ideal para assumir a posição de gerente de projetos na minha equipe.

Como desperdiçar talentos na empresa sem chamar a atenção

Mudanças À Vista

As coisas mudam. Seis meses mais tarde, a empresa foi reestruturada e minha equipe foi desmantelada e dividida entre várias outras. O time de talento que construí foi incorporado em outras equipes para ajudá-las a crescerem. Laura foi alocada num grupo onde suas habilidades eram realmente demandadas. Ela se encaixou perfeitamente e imediatamente se tornou uma integrante produtiva nesta nova equipe.

E Mais Mudanças…

Mais mudanças. Essa nova equipe foi dissolvida. Seu novo chefe foi demitido. Laura foi transferida para um outro time. Desta vez, ela não se encaixou tão bem no grupo. Outros integrantes da equipe tinham as mesmas habilidades dela, portanto o que ela oferecia era mais redundante do que propriamente um talento único. Seu novo chefe a designou para uma tarefa que não estava alinhada com o seu perfil. Ela se esforçava sobre a mesma, mas não alcançava um desempenho à altura do seu padrão usual.

Semana passada, eu a vi. Laura estava do outro lado do saguão, longe demais para que pudesse falar com ela. Entretanto, sua linguagem corporal falava alto e era muito clara. Sua cabeça estava baixa. Seu sorriso a havia abandonado. Aquela vívida elasticidade sumira de seus movimentos. Mesmo para o nosso estilo casual, suas roupas pareciam pouco profissionais. A mulher talentosa, motivada e vencedora que eu havia contratado havia se transformado numa robô desmotivada.

Sem Mudanças

É realmente triste ver a Laura desta forma. Ela é uma boa mulher e estou seguro que se sente mal por não ter tido habilidade o suficiente para lidar com a tarefa a qual foi designada. Entretanto, Pablo, é pela nossa empresa que me sinto triste. Eles perderam a funcionária brilhante, comprometida, que dá duro e com competência de fazer muitas coisas bem acima da média.

Ao invés de utilizar esta funcionária fora-de-série numa posição onde pudesse se superar, a empresa a deslocou para um lugar onde ela fracassou.  Ao invés de realocá-la de volta para sua posição original ou experimentá-la numa nova função, a empresa a deixou onde está e efetivamente acabou rotulando-a como fracassada. Não tenho duvida alguma que Laura estará em breve numa outra empresa, tão logo consiga encontrar um posição adequada. Ela vai se dar bem lá. É uma profissional  com grande potencial. Nossa empresa não podia se dar o luxo de perder pessoas de talento, mas nós perdemos a Laura… Por enquanto, nós ainda contamos com a sua presença, mas sua essência não está mais conosco.”

Lidando Com Esta Questão

Imagino que você ou vivenciou histórias semelhantes ou ouviu narrativas parecidas… A lição que quero dividir com você é simples. Encontre e recrute as melhores pessoas que puder. Coloque-as nos lugares onde elas podem dar o seu melhor e deixe-as fazer o trabalho para o qual foram contratadas. Ajude seu time a ter êxito e sua empresa terá êxito.  É simples… mas não é fácil.

Conte comigo,

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